O PODER DA RESILIÊNCIA E DO RECOMEÇO

Saiba como a atriz Suzana Pires superou um fracasso e de que modo este episódio foi imprescindível para seu sucesso.

Nenhum comentário

REPOST DA REVISTA MARIE CLAIR

POR SUZANA PIRES

Dona de Si, leitora que tanto prezo! Escrevo tanto aqui sobre nossos caminhos para o sucesso e independência financeira que não poderia deixar de refletir sobre os fracassos no caminho. Fracassos que irão testar nossa capacidade de RESILIÊNCIA e de RECOMEÇAR.

Se você é uma mulher de sucesso já passou por alguns momentos de fracasso. se você é uma mulher construindo sua trajetória de sucesso, saiba que: se não fracassar, não dará espaço para o sucesso chegar. E nem terá a perspectiva necessária para avaliar como é relativo tanto o sucesso quanto o fracasso.

Como eu sempre gosto de fazer, contarei a história do meu primeiro fracasso retumbante e suas consequências. Parar hoje e lembrar daquele momento é algo quase poético e tem a força de me impulsionar a cada não que recebo, a cada limite que se mostra real. O que sei hoje é que tanto o NÃO quanto o SIM só vão te levar a uma interessante próxima etapa se você não fugir da raia nem de um, nem de outro. Assuma seu fracasso e seu sucesso, para, em seguida, entender que os dois são complementares.

Era o ano de 1998 quando arregacei as mangas com minha parceira, a atriz Maria Maya, e produzimos a peça “Do Outro lado da tarde” de Caio Fernando Abreu. Nós partimos para captação de recursos, contratação do diretor, assistente, iluminador, cenógrafo, figurinista, entrada na sala de ensaios, lançamento e estreia da peça. Do momento que decidimos colocar o espetáculo de pé até a estreia foram três meses de trabalho 24/7.

O curioso desses três meses é que toda vez que tudo parecia que ia dar errado, acontecia algo que nos mostrava o caminho certo e seguíamos nele. Finalmente chegamos ao dia da estreia! Teatro lotado, peça linda, tudo muito bem cuidado, convidados importantes, críticos dos jornais, coquetel e nós duas nos deleitando em cena. Afinal, todo o esforço de produzir a peça era para mostrar ao mercado o nosso trabalho. Queríamos existir e aquele foi nosso primeiro passo.

É claro que tínhamos uma fé, uma esperança de que tudo daria certo –  próprio de quem tem entre 18 e 22 anos – e, por isso, não tínhamos um plano B para o caso da peça ser um fracasso de bilheteria. Acreditávamos e agíamos e para nós isso era o bastante para nos conferir êxito. No entanto, não era.

Passado o primeiro fim de semana de estreia, abrimos a bilheteria ao público e nossas vendas foram um fiasco! Vendíamos 8 ingressos na sexta, 17 no sábado e uns 4 no domingo e a maior parte deles pagava meia. Ou seja, após uma semana em cartaz nós tínhamos o pior cenário possível na nossa frente. Nós estávamos enrascadas, pois a cada dia de apresentação pagávamos os técnicos e o aluguel do teatro.

Separamos um valor mínimo para os primeiros custos fixo, mas contávamos em vender ingresso. Pois bem, após oito apresentações não tínhamos mais recursos e começamos a fazer dívida, já que a opção de cancelar nos cobrava multa. Ou seja: continuar ou parar daria no mesmo. Naquela semana nós nos abatemos, mas a vontade de estar em cena e de construir uma história nos colocou de pé. Este era nosso propósito e a partir da força dele nos colocamos a ir atrás do nosso próximo objetivo: fazer a peça dar certo.

O raciocínio era o seguinte: sim, nós tínhamos dívidas, mas, ao mesmo tempo, um produto cultural de qualidade. Portanto, precisamos ir atrás de instituições que valorizem isso. Caiu a ficha de que não tínhamos produzido um sucesso comercial e sim um trabalho CULT, com um público específico. Listamos as instituições de apoio a trabalhos desse viés, ligamos e mandamos projeto. Listamos todos os festivais de teatro do Brasil e do mundo que pagavam cachê e naquela semana havíamos disparado nosso produto para uma área de produção que não havíamos pensado antes.

Sim, nosso erro de planejamento e estratégia era gritante. Nós saímos fazendo e, com o “avião no ar”, tínhamos que dar um jeito de colocar combustível nele! É nesse momento das nossas vidas profissionais que temos dois caminhos: parar ou continuar. PARAR seria encerrar a peça, negociar a dívida com o teatro e ficar em casa se lamentando. Nossa opção foi CONTINUAR e fomos forçadas a planejar! Nos demos duas semanas para ter retorno das nossas novas ações, pois era o tempo que aguentaríamos custear o mínimo para entrar em cena. Assim fizemos e intensificamos nossa batalha.

Fomos a SP bater na porta das instituições que prezam por este tipo de espetáculo, ligamos para amigos, mandamos projetos através de internet discada (!!!!) e fizemos algo que pode ter feito toda a diferença: ABRIMOS O JOGO da nossa situação. Após dez dias: BUM! O primeiro retorno. Era um festival de teatro experimental em São Paulo, com cachê e as despesas pegas. O cachê pagava nossa dívida e ainda nos daria folego para continuar em cartaz. Na semana seguinte, outro retorno.

Na outra semana saiu nossa crítica que era muito positiva e com isso nós tivemos outros convites. Final das contas: fizemos a peça de 1998 a 2004 e conseguimos o nosso objetivo que era custear a peça e mostrar nosso trabalho para que nossa carreira pudesse engrenar. E assim, aconteceu. Durante todos os anos, fizemos a peça e inúmeros trabalhos que ela estava nos trazendo. Sim, nós finalmente existíamos no mercado. Era um começo.

A sensação de sucesso era imensa quando vendíamos sessões fechadas ou vendíamos todos os lugares da sessão, pois estávamos no lugar certo para aquele tipo de entretenimento. Imagina se tivéssemos desistido? Nosso maior fracasso nos levou ao sucesso, fazendo-nos trabalhar com diretores conhecidos, produções comerciais, novelas, filmes e publicidade. Foi uma ralação imensa e um grande período de privação financeira, mas não se tratava só da peça. Tratava-se da nossa história. E isso é muito maior do que qualquer NÃO.

Portanto, caríssima DONA DE SI: se eu puder te dar uma sugestão é a de que você considere sempre o pior cenário e planeje saídas para que assim o fracasso te leve a um buraco em que no fundo tenha uma mola que a fará subir como um foguete.

O sucesso e o fracasso andam de mãos dadas e possuem a mesma força. Cabe a você entender isso e ter RESILIENCIA para RECOMEÇAR!

NÃO RECLAME, NÃO SE LAMENTE: ENCARE!

É difícil, mas o querer faz milagres.

Sororidade sempre
Beijo grande
Suzi Pires


Artigo selecionado por Marcela Marçal – CEO da empresa de moda feminina Sétima Essência – Básico.

facebook Curta a página da Sétima Essência no Facebook.

instagram Siga a Sétima Essência no Instagram.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s